• Vinícius Fortunato

“Oh meu pai, eu sou Cruzeiro meu pai”

Salve Nação Azul...


Bom, inspirado no mestre Chiabi, resolvi reviver um momento nostálgico como torcedor. Fiquei pensando nos jogos mais emocionantes que vivi no Mineirão, tenho pelo menos um top five, então foi bem difícil escolher apenas um, por isso decidi escolher o jogo que reúne algumas das coisas que mais gosto nessa vida: Meu Pai, meus amigos, Cruzeiro e Mineirão.


O jogo que escolhi foi um Cruzeiro 4x3 Atlético MG em 2007.


Antes disso tenho que contar o porquê sou Cruzeiro.


Primeiro de tudo é importante dizer que venho de uma família de cruzeirenses, mas o principal mentor da minha iniciação cruzeirense tem nome. Devo minha paixão pelo Cruzeiro ao senhor Francisco Vicente Severino, o Ti Neném, também conhecido como meu pai.


Meu pai é natural de Florestal/MG, uma pequena cidade próxima a Pará de Minas. Ainda criança ele torcia pelo Fluminense, porque o time da cidade levava a mesma alcunha que o tricolor das laranjeiras, mesmas cores, mesmo escudo e mesmo nome (o time existe até hoje). Já adolescente, meu pai saiu de Florestal e veio para BH, como muita gente do interior atrás de trabalho. Chegando à capital mineira, o que ele sempre me disse foi que viu a camisa do Cruzeiro e se apaixonou, aquele azul celeste, com 5 estrelas brancas no peito, enfim, foi amor a primeira vista. Um fato importante que não podemos deixar de mencionar nessa história, essa mudança aconteceu no inicio da década de 60, onde aquele que seria um dos maiores times da história do Cruzeiro estava sendo formado. Uma camisa maravilhosa, Tostão, Dirceu Natal, surgindo para o futebol, como não ser cruzeirense?


Acabou que o obvio aconteceu, meu pai largou de lado a camisa tricolor e começou a se vestir do manto azul.


Bom, foi ai que começou minha história com o maior de minas, anos antes mesmo de nascer. Nasci em 91, ano da nossa primeira Supercopa, logo vivi uma década tão gloriosa quanto a de 60, então pergunto novamente a vocês:


COMO NÃO SER CRUZEIRENSE?


Cresci escutando do meu pai a escalação completa do time de 76, da final contra o Bayern com mais de 100 mil no Gigante da Pampulha. Ainda lembro quando comecei a chutar bola na vida a satisfação dele era que eu jogava na escolinha de futebol do saudoso Zé Carlos, o maior volante que este time já teve.


Desde os três anos eu era mascotinho do Cruzeiro, todo domingo eu estava lá no Mineirão, lá de baixo procurava meu pai na arquibancada e ele acenava pra mim. Um dos momentos que eu mais me recordo foi em 98 quando entrei com um dos meus primeiros ídolos no futebol, Alex Alves. Eu era tão fã desse cara que quando eu fazia gol comemorava fazendo capoeira igual a ele, outra grande saudade. Que Deus o tenha em um bom lugar.


Fui entendendo mais de futebol, e ouvia do meu pai coisas do tipo: “Quem é Cristiano Ronaldo perto do Natal”. Quem sou eu pra questionar, isso sim.


Bom, acho que vocês já entenderam como virei cruzeirense, então vamos ao jogo.


Antes de tudo tenho que explicar o porquê esse jogo é tão importante pra mim. Meu pai hoje em dia não vai ao Mineirão, segundo ele passou a época dele. Isso já era o que ele falava lá em 2007. Eu então com meus 16 anos eu começava a ir sozinho ao estádio, porém clássico eu era proibido de ir sozinho. Então qual a solução? Apelar para o irresistível sentimento de pai e filho no estádio, sim, é hora da chantagem emocional.


Depois de muita insistência consegui convencer meu pai a me levar no jogo, de quebra ainda iria mais 3 amigos (Chris, Felipe e Pesca), ambos na mesma situação que eu, só foram porque meu pai ficou como responsável. Dia de venda, acordei cedo e antes das seis eu já estava na fila da sede do Barro Preto, isso sim é clássico raiz. Primeira vitória conquistada antes mesmo do jogo: ingressos do portão 6 comprados (saudades portão 3 e 6).


Domingo, 16 de setembro de 2007.

Alt.Mineiro 3x4 Cruzeiro - 26ª rodada do Campeonato Brasileiro 2007

Bola em jogo, alegria do povo, começa o espetáculo (Tá ai outra coisa que herdei do meu pai, o gosto de ver o jogo e escutar o Albertinho Rodrigues narrando).


Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, o primeiro gol celeste. Roni (mais um que teve que sair do Atlético MG e vir para o Maior de Minas pra fazer algo grande no futebol) pegou a bola na ponta esquerda, entrou na área em velocidade, fingiu que ia tocar e chutou meio sem ângulo, todo desequilibrado, caindo... a bola ainda desviou no zagueiro adversário, mas acabou morrendo no fundo da rede, Cruzeiro 1x0. “Ih fudeu o Roni apareceu” cantava a torcida celeste.


O Cruzeiro não deixava o time de Vespasiano respirar e aos 23 minutos, Maicosuel (quem lembra? rs) chamou o marcador para dançar na ponta direita, ao entrar na área malandramente deixou o corpo para o contato, não deu outra, pênalti. Roni na bola e como manda o “manual do pênalti bem batido”, bola para um lado, goleiro para o outro, Cruzeiro 2x0.


A essa altura do campeonato eu já estava maluco, poucas vezes vi um “lelele lelele ô” com tanta força, acho que assim como eu, muitos achavam que iriamos vingar os 4x0 que tomamos neste mesmo ano (mal sabíamos que a vingança viria em dobro com dois 5x0). Como nem tudo é perfeito, o Atlético MG empatou ainda no primeiro tempo. O autor do segundo gol, Marinho, comemorou o gol fazendo pose, fazendo o sinal de deboche ao Cruzeiro e ainda saiu para intervalo provocando.


Problema disso tudo é que na volta do segundo tempo Cruzeiro voltou desligado, logo aos 12 minutos de jogo Marcinho, o ex “talentinho azul”, foi derrubado por Fábio na área, pênalti que o falastrão Marinho converteu, o pesadelo começava, um jogo ganho transformou em uma virada que seria muito zoada caso se concretizasse.


A salvação como em muitos jogos de 2007 veio do banco. Dorival Junior colocou Guilherme e Kerlon no jogo e os dois entraram com o capiroto no corpo. A inspiração foi tanta que a festa atleticana durou pouco.


Aos 17 minutos Guilherme pegou a bola na intermediaria e arriscou eeee...glugluglu... um frango do goleiro deles, era o empate do Cruzeiro que voltava pro jogo e que jogo.


O Cruzeiro voltou a mandar na partida, Kerlon estava impossível, velocidade, dibre, força física. Privilegiados os que viram o Foquinha jogar nesse início de carreira. Uma pena que teve tantas lesões.


O Alt.Mineiro resistiu até onde pôde, mas aos 32 do segundo tempo, de novo Roni infernizando a zaga finalizou em uma jogada individual pela esquerda, o goleiro atleticano falhou novamente e quem estava lá pra decidir? Guilherme (como gostava de clássico) bateu para o gol vazio e fez o quarto gol, uma virada improvável, absurda, magistral. Sim, o Cruzeiro tomava a dianteira do placar novamente.


Para finalizar um jogo memorável, bola na ponta direita, Kerlon levanta a bola timidamente, será? Sim. O que todos esperavam aconteceu, Foquinha jogou a bola pra cima e fez sua jogada característica, foi fazendo embaixadinha com a cabeça até ser parado em uma falta covarde do lateral Coelho. Pronto, sururu formado, empurra daqui, empurra da li, Coelho expulso e a torcida do Cruzeiro cantando “ah... que isso elas estão descontroladas”.

Kerlon Foquinha


Não demorou muito o juiz apitou o fim da partida, placar final Cruzeiro 4x3. Caminho de casa nunca foi tão suave, escutando os gols novamente no radio do carro, meu pai buzinando a cada gol no meio do anel, felicidade eterna.


Uma dedicatória especial que não podia faltar:


Obrigado pai, por me fazer cruzeirense. Existem poucas coisas na vida que amo mais que o Cruzeiro e uma delas é você.


Por: Vinicius Fortunato - @fortunatoxD



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