Henrique, um ídolo sem grife

12/02/2019

Preciso confessar algo aos queridos leitores deste espaço. Não sou de idolatrar jogadores ainda em atividade pelo nosso Cruzeiro, mesmo os mais habilidosos, raçudos ou aqueles autores de gols importantes. Penso que para merecer a idolatria da torcida, e em particular a minha, um jogador precisa demonstrar algo além das quatro linhas, respeitando o Clube acima de tudo. Mas alguns jogadores fogem à regra, e mesmo em atividade atualmente, já conseguiram seu espaço no seleto grupo dos maiores ídolos do Clube. No elenco atual eu listo o ídolo eterno Fábio, o zagueiro Léo e o capitão Henrique. Hoje falarei sobre o último.

Arte: William Silva - @wiilbg

 

Henrique Pacheco Lima chegou ao Cruzeiro na pré-temporada de 2008, por indicação do técnico Adilson Batista. Veio com a já comum desconfiança da torcida azul em relação à contratação de volantes. Pois a chegada de um volante quase sempre sugere que o técnico esteja querendo jogar para trás, na retranca. Ainda mais um volante sem grande destaque, naquele momento, no cenário nacional, e vindo de um centro pouco badalado do futebol, o Japão. E obviamente levou alguns anos para Henrique ganhar o merecido reconhecimento dos torcedores. Sempre foi um jogador tecnicamente discreto dentro de campo, e talvez isso tenha o atrapalhado quanto ao que alguns torcedores pensam sobre o seu futebol.

 

Não é muito comum vê-lo se jogando na bola, arrumando briga ou fazendo gols. É naturalmente um apaziguador. Fora de campo se desviava dos holofotes e das declarações polêmicas, nem mesmo ousando provocar os rivais. Criou assim, para alguns torcedores, uma impressão de que não fosse um jogador identificado com o Clube.

 

Desde a sua chegada, são quase onze anos de serviços prestados ao Cruzeiro, tendo ocorrido um pequeno hiato entre julho de 2011 e janeiro de 2013, quando foi negociado junto a uma certa equipe do litoral paulista. Saiu pela porta da frente à época. Ao todo, são 462 jogos (último jogo contabilizado: Cruzeiro x Tupynambás) e 27 gols marcados. Sendo alguns desses gols antológicos, como o apontado contra uma equipe tricolor de São Paulo nas quartas de final da Libertadores em 2009. Naquela edição, Henrique também marcaria o gol solitário do Cruzeiro no jogo da volta da final, no Mineirão.

 

A confirmação de que se tornaria ídolo da torcida se deu após a sua volta, em 2013. Henrique retornou dizendo que estava voltando para sua casa, para o Clube do seu coração e começou assim a ganhar um espaço no coração do exigente torcedor Celeste. Começava ali o capítulo mais marcante e definitivo da sua carreira pelo Cruzeiro. Peça de confiança de Marcelo Oliveira, Henrique foi bicampeão brasileiro em 2013 e 2014. Experiente e uma liderança natural dentro do grupo ajudou a conduzir o meio campo da equipe. Em 2017 e 2018, sob a batuta de Mano Menezes, levantou as taças da Copa do Brasil como capitão de fato. Além disso, tem em sua galeria cinco Campeonatos Mineiros.

 Copa do Brasil 2017. Mais um título conquistado junto ao Cruzeiro, o sétimo em quase 11 anos no Clube. Foto: Agência i7

 

Nos últimos anos, tem se mostrado mais aberto nas entrevistas, e deixado escapar o seu grande respeito pelo Cruzeiro. Em recente declaração a um programa de entrevistas no Youtube, disse que sentiu vontade de bater em um ex-jogador do Cruzeiro que se referiu ao Clube de forma pejorativa, ainda quando esse atuava com a camisa estrelada. Também declarou que não jogaria no rival de Vespasiano, revelando que devido à sua grande identificação com o Cruzeiro não se sentiria à vontade vestindo a camisa dos listrados. Ele é o nono jogador que mais atuou com a camisa estrelada.

 

Ídolo da maioria dos fanáticos azuis, o Capitão talvez não seja um primor técnico dentro de campo na opinião de muitos torcedores, mesmo estando sujeito a erros no exercício da sua função. Mas o acesso cada vez maior dos torcedores aos bastidores do vestiário através das redes sociais oficiais do Clube, mostra como é inegável que Henrique exerce um papel fundamental de liderança psicológica e que tem sim admiração, respeito e gratidão ao Clube. Tendo naturalmente se tornado uma referência para os torcedores mais jovens e para os jogadores novatos do elenco. Não julgo os torcedores que não gostam do titular da camisa 8 ou aqueles que não o enxergam como ídolo. Mas deixo aqui minha total admiração pelo que ele representa para a geração atual. No futuro será lembrado como ídolo eterno, alcunha que já possui oficialmente por ter feito mais de 400 jogos. E será lembrado também como uma importante peça de uma das gerações mais vencedoras da nossa história. E eu farei coro para que seja assim.

 

Por: Ezequiel Silva - @AraraquarAzul

 

 

 

 

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