• Vinícius Fortunato

Alt. Mineiro 1x1 Cruzeiro

Saudações celestes!


Meus amigos, vou parafrasear o famoso Galvão Bueno. Utilizando a famosa frase do narrador global, tomando a licença poética de mudar algumas palavras, lá vai:


“SER CAMPEÃO É BOM, SER CAMPEÃO CONTRA O ATLÉTICO É MELHOR AINDA”.

Cruzeiro, o único gigante de Minas. Foto: Vinnícius/Cruzeiro


Cruzeiro conquistou seu 38º título mineiro em um jogo complicado, como já imaginávamos, sem muitas aspirações no ano e já virtualmente desclassificados na libertadores o Atlético-MG tratou a final como um jogo chave para amenizar o péssimo desempenho neste inicio de temporada. Acontece que do lado azul também tinha gente querendo mostrar serviço e não tem outra, se igualassem na vontade, o Cruzeiro com certeza seria o campeão pois na bola é muito superior ao adversário.


Então vamos falar do jogo. O Mineiro trouxe mudanças para o jogo decisivo, precisando vencer, o técnico interino tentou surpreender o Cruzeiro e trouxe a campo uma linha de quatro meias, onde Geovânio fazia a direita, Elias e Luan mais centralizado e Chará pela esquerda. Acontece que Mano Menezes estava preparado, ele colocou Dodô no lugar de Egídio e o camisa 18 conseguiu neutralizar o lado direito ofensivo do adversário apesar das investidas por aquele lado, pouco perigo levou ao gol de Fábio.


O jogo era muito igual, Cruzeiro controlava o tempo esfriando o jogo, já o Atlético tentava acelerar o jogo quando tinha a bola, mas sempre esbarrava no setor defensivo, que como sempre estava muito bem montado. Chances de gol mesmo só duas bolas na trave meio sem querer de ambos os times.


O primeiro tempo caminha para um 0x0, quando aos 29 minutos Robinho perdeu a bola na saída para o ataque. Apesar da zaga celeste ser surpreendida e está desorganizada com a perda repentina da posse de bola, Chará dominou a criança cercado por três marcadores, ele conseguiu proteger e fazer um bom passe para Ricardo Oliveira, o atacante ficou cara a cara com Fábio que mais um vez, fez seus milagres e fez uma grande defesa. A bola sobrou limpa para que Elias finalizasse de cabeça para o fundo das redes celestes, abrindo o marcador no estádio do Sete de Setembro. O detalhe do gol fica por conta da movimentação de Elias, que saiu da intermediária e chegou de frente para o gol sem que nenhum volante o acompanhasse. Falei sobre isso no jogo contra o América, que às vezes Henrique e Romero dão muito espaço nessa parte intermediária do campo e se acompanharmos o lance todo podemos ver o Elias passando e o Romero que não o acompanhou.


Mesmo depois do gol, o Atlético continuou sem levar muito perigo, era uma investida aqui, um chute de fora da área ali, mas sem obrigar Fábio a trabalhar. O primeiro tempo acabou com uma bizarrice tamanha. O juiz decidiu não apitar o jogo, deixou que o VAR tomasse as decisões por ele, com isso só no primeiro tempo foram cerca de 6 paralisações para consulta e absurdamente a primeira etapa acabou com apenas DOIS MINUTOS DE ACRÉSCIMO.

Segunda etapa começou com os dois times sem substituições, a diferença no jogo foi apenas para a postura do Atlético, o time de Vespasiano lembrou um time de futsal marcando, decidiu fazer um “meia quadra” e de lá não saía. O Cruzeiro como todos já conhecem, frio, tocava a bola, invertia o jogo e tentava de alguma forma entrar na defensiva atleticana. Apesar da calma era nítido que o jogo do Cruzeiro não estava funcionando. Sem Egídio o Cruzeiro ganhou em marcação mas perdeu o apoio ao ataque, Marquinhos Gabriel ficou órfão das tabelas pelo lado esquerdo, bem marcado e sem o poder do drible era presa fácil para os marcadores. Vendo isso, aos 19 minutos da etapa final, o treinador celeste promoveu sua primeira mudança, tirou Marquinhos e colocou no jogo Pedro Rocha, era a chance de quebrar a defesa do adversário, um jogador de drible no jogo pelo Cruzeiro.


Apesar de achar a mudança correta, inicialmente ela surtiu pouco efeito, com isso aos 26 minutos veio o “all-win”. Thiago Neves entrou no lugar de Lucas Romero e o Cruzeiro veio com tudo para cima. E existe aquele velho ditado né? “Água mole em pedra dura...”


Aos 31 minutos Pedro Rocha fez o que se esperava dele, pegou a bola pela ponta esquerda, passou por três marcadores até chegar em Leonardo Silva, o zagueiro se jogou na bola, ao deslizar no chão a bola acabou tocando em sua mão, a jogada prosseguiu, mas logo que foi finalizada os jogadores celestes protestaram bastante e não deu outra, o juiz teve que checar o VAR. Depois da verificação, pênalti para o Cruzeiro e segundo os comentaristas de arbitragem, marcado corretamente (a explicação é a seguinte, quando o zagueiro dá o carrinho dentro da área ele assume o risco de fazer a falta, a bola pega na mão do zagueiro que estava com os braços abertos e atrapalha o seguimento da jogada, portanto pênalti bem marcado).


O artilheiro do Cruzeiro no ano pega a bola e é nessas horas que o camisa 9 se faz diferente dos demais. Depois de treinar mais de um ano com Victor, Fred pega a bola sem pensar duas vezes coloca ela na marca da cal. O goleiro atleticano defendendo um pênalti exatamente embaixo das traves que o consagraram em 2013, muitos teriam se recusado a assumir esta responsabilidade, mas o Rei dos Stories não, com calma ele foi pra bola e ao ver o tal santo se definir ele bateu no canto oposto e empatou o jogo. Cruzeiro 1x1.

Fred e os companheiros comemoram o gol do título. Foto: Telmo Ferreira/FramePhoto/Estadão Conteúdo


Depois disso foi só o famoso “bola pro mato que é jogo de campeonato”. Rodriguinho saiu para entrada de Lucas Silva e o Cruzeiro recompôs o seu meio campo, a torcida adversária como sempre faz desapareceu e só se escutava os 1800 torcedores cruzeirenses nas arquibancadas. Diferente do primeiro tempo desta vez a arbitragem deu SETE MINUTOS DE ACRÉSCIMO, curioso não? De nada adiantou, o adversário não conseguia levar perigo ao gol de Fábio e o Cruzeiro dominou a partida até o apito final, CRUZEIRO BICAMPEÃO MINEIRO DE FUTEBOL.

Após o apito final o destaque ficou para Fred, que em uma entrevista deu uma cutucada no presidente do adversário, falando da importância do Cruzeiro em o receber de volta, em como foi difícil o ano que ele passou machucado. É importante ressaltar a raiva que ele nos fez quando foi para lado errado da lagoa, mas tem feito tudo correto e pagando essa “dívida” com a torcida com juros e correção, então que Deus abençoe seu ano Don, que venham muitos gols e títulos. Ainda tivemos um falastrão dizendo que o Cruzeiro não mereceu o título, ei Luan, o time está invicto no ano, empatou o jogo dentro do horto, então engole o choro.


Para finalizar, gostaria de dedicar estas últimas palavras a alguns amigos meus que me criticam quando eu me refiro a este jogo como um clássico e principalmente quando eu falo da importância de ganhar do Alt. Mineiro. Dar importância a este confronto, querer a vitória e acima de tudo um título sobre o rival não é colocar eles em um patamar acima. Vencer o time de Vespasiano é vencer também o sistema que tanto tenta prejudicar e diminuir o Cruzeiro. É clássico por tudo que passamos em Minas, vencemos o sistema, o mesmo que existe desde que o Cruzeiro ainda era Palestra. Em 1930 o Palestra venceu seu primeiro tricampeonato mineiro e mesmo o regulamento dizendo que o primeiro clube que conquistasse o campeonato da cidade três vezes ficaria com o caneco em definitivo, a Federação Mineira se recusou a dar o troféu para nós. O resultado disso é que a bola daquele jogo final que nos consagrou campeões mineiros de 1930 está até hoje em nossa sala de troféus no Barro Preto. Se o Cruzeiro não existisse até 2013, Minas Gerais teria menos títulos que Bahia e Paraná, estados que juntos não tem a quantidade de títulos que o Cruzeiro tem sozinho hoje. Então vencer o clássico é importante por isso, que todos entendam a importância de vencer o sistema e que o Cruzeiro continue soberano, dono de MINAS GERAIS INTEIRA.

Obrigado Cruzeiro, simplesmente por existir, parabéns por mais um título e que este seja só o primeiro objetivo do ano, vamos juntos como sempre meu grande amigo.


VAMOOOOOOOOOOO CRUZEIROOOOOOOOOOOO!


Ficha técnica: Atlético-MG x Cruzeiro


Motivo: Jogo de volta da final do Campeonato Mineiro Local: Independência, em Belo Horizonte Data: 20 de abril de 2019 (sábado) Horário: às 16h30 (de Brasília) Árbitro: Leandro Bizzio Marinho Assistentes: Rafael da Silva Alves e Elio Nepomuceno de Andrade Junior

Cartão amarelo: Geuvânio, Luan, Ricardo Oliveira, Victor (Atlético-MG); Edilson, Thiago Neves, Fred, Fábio (Cruzeiro)

Gols: Elias - 29'/1ºT (1-0); Fred - 34'/2ºT (1-1)


Atlético-MG: Victor; Guga, Igor Rabello, Leonardo Silva e Fábio Santos; Zé Welison (Alerrandro), Elias, Luan (Vinícius), Geuvânio (Maicon Bolt) e Yimmi Chará; Ricardo Oliveira. Técnico: Rodrigo Santana (interino).


Cruzeiro: Fábio; Edilson, Léo, Dedé e Dodô; Lucas Romero (Thiago Neves), Henrique, Rodriguinho (Lucas Silva) e Robinho; Marquinhos Gabriel (Pedro Rocha) e Fred. Técnico: Mano Menezes


Por: Vinicius Fortunato - @fortunatoxD

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