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Um Título para a Torcida

Eu sempre fui muito pessimista. Talvez seja esse o meu mecanismo de defesa, capaz de me consolar e me preparar para possíveis desastres. Algo pra aliviar as tristezas, inevitáveis ou não. Lembro que estava sempre com um pé atrás em 2003, mesmo vendo os vários amigos bordarem uma estrelinha amarela em suas camisas, antes mesmo do fim do primeiro turno... Lembro-me de sempre ser precavido com os meus comentários em 2013 e 2014, mesmo com os adversários diretos se distanciando cada vez mais. Mas é algo muito pessoal, é meu jeito. E não é só com o futebol. Em minha primeira viagem de avião, por exemplo, lembrei de todos os filmes de desastres aéreos que já havia assistido. Imaginem o medo. E quando aprendi a dirigir, me preparava sempre para o pior, principalmente naqueles famigerados testes do DETRAN. Bem, os aviões não caíram (graças á Deus), os carros não bateram e fui aprovado (na terceira tentativa) no teste do DETRAN. E claro, o Cruzeiro ganhou os brasileiros de 2003, 2013 e 2014, até com certa facilidade.

Créditos de Imagem: Washington Alves - Agência Light Press

É normal que o torcedor leve sempre cada conquista pra um lado meio que supersticioso. “Foi a camisa da vitória, o lugar na arquibancada, a meia da sorte”. Mas a minha superstição é a posição dos pés: sempre no chão.

O Cruzeiro merece esse título. Não por ter feito a melhor campanha, já que olhando bem, ela foi muito fraca. Tivemos dificuldade com a Chapecoense, por pouco não fomos eliminados pelo São Paulo em casa, deixamos o Palmeiras empatar um jogo ganho na casa deles e ainda abrirem o placar aqui no Mineirão, num jogo muito complicado. Fomos uma presa fácil para o Grêmio em Porto Alegre e perdemos dois pênaltis na grande decisão em casa. Enfim, não fomos unanimidade e nem superiores o tempo inteiro. Não somos nem mesmo um finalista indiscutível. Mas fomos guerreiros, ah isso nós fomos mesmo! Tivemos grandes heróis em campo, e o maior deles, na arquibancada. Merecemos o título não só pelo que a torcida fez esse ano contra os grandes adversários, mas por tudo que começou a ser feito por nós, ainda em 2015. Lembram-se quando o time parecia numa queda livre? Quando nada dava certo? Nosso comportamento não foi o de abandonar, em hipótese alguma. Foi momento de cobrar, apoiar e abraçar!

Foi assim que o grito de “Zêro” se tornou um mantra e embalou uma recuperação fantástica da equipe. Claro que existiram responsáveis em campo, mas a força e o gás vindos da arquibancada eram o principal e inquestionável motivo daquela arrancada. E o entrosamento nascido ali, permaneceu em 2016. A esperança de um ano melhor foi substituída por confusões de uma diretoria pensando em eleição, as decepções e as eliminações. A torcida, que independente de tudo isso, seguiu abraçando o clube e cobrando as melhorias, carregou novamente o time e nos livrou de algo ainda pior.

E por isso tudo é que essa torcida merecia muito mais do que dois “não rebaixamentos”. Muito mais do que uma ou outra vaga para Copa Sul-americana. Essa torcida merece aquilo com que nos acostumamos. Merecemos um título de expressão. O título da torcida.

Longe de mim comemorar antes da hora. Como disse no início, não sou adepto de comemorações antes do apito final. Mas se esse título vier, ele é muito mais do que especial. Ele é nosso. É dos guerreiros que fazem do time um gigante do futebol brasileiro, mesmo sem entrarem em campo. Porque presidentes, diretorias e jogadores passam, nós permanecemos. E é lá da arquibancada que começam e terminam todas as grandes conquistas.

Que na quarta, seja mais uma delas!

Por: Demetrios Pinheiro - @TheMetrios90

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