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  • Ezequiel Silva

O final mais perfeito que poderia ter

Ainda que destoantes em praticamente o seu inteiro decorrer, as histórias de Cruzeiro e CSA vieram a se cruzar em 2019. O Gigante de Minas, com as suas 10 conquistas nacionais e seus 7 títulos continentais, viu, após um fatídico vazamento de um também fatídico áudio, nascer uma “rivalidade” com a tal equipe alagoana, que tem lá a sua grandeza em seu estado natal, mas que soma em seu currículo um vice-campeonato da Copa Conmebol como maior “conquista”.


Obviamente que aproveitando-se do áudio vazado e da consequente vitória após o tal fato, o CSA fez fama em cima da carne podre. E não por menos, afinal os holofotes não costumam brilhar tão facilmente para eles. A coisa apertou: construíram uma “freguesia” em 2020 e 2021, e começaram a ter a estranha confiança de que um jogo contra o Cruzeiro já eram favas contadas. 


Triste e precoce constatação a deles, pois 2022 prometeu desde o início ser diferente. Campanha histórica na B por parte do Cruzeiro, e o time azulino derrapando. No confronto em Alagoas a vitória celeste só escapou por causa de uma péssima arbitragem em uma noite trágica. Mas o encontro final seguia marcado.


E quiseram as forças do futebol que esse fosse O encontro! Cruzeiro já campeão, CSA ameaçado pela Série C. Um cenário perfeito para destilar a vingança. Sessenta e uma mil pessoas foram ao Mineirão para assistir à derradeira batalha, e ver de perto o enterro de um rival enfadonho.


Em dois instantes, o filme do “Fala, Zezé” passou em nossa mente… fazendo o típico jogo de time pequeno, que busca um gol, recua e pratica o “cai-cai”, o CSA quase viveu outra noite feliz em terras mineiras. No entanto, tudo conspirou a favor do Cruzeiro nessa Série B, e como foi durante todo o campeonato, uma bola improvável estufou as redes alagoanas, e ainda na comemoração, outro gol selou de vez o enterro.


Um roteiro de filme não seria tão perfeito. Um encerramento de partida, e de campeonato, recheado de simbolismos. Os dois gols rivais foram os anos de 2020 e 2021, o gol de Jesus foi a criação da SAF, o de Rômulo foi a compra por parte de Ronaldo, e o gol de Luvannor foi a consolidação do belo trabalho de Paulo Pezzolano e jogadores. A taça é o símbolo da luta e persistência dos torcedores que não abandonaram.  


Além disso, três faces foram bem representadas nos gols celestes: Geovane é a base, a juventude estrelada e que será a salvação financeira do clube muito em breve; Rômulo é o rosto dos remanescentes, daqueles que em algum momento deixaram de lado projetos e melhores condições para acreditar no renascimento do Cruzeiro; e Luvannor é a feição de quem chegou sob desconfiança da torcida e da imprensa, e que provou com qualidade em campo o seu potencial.


O CSA agora é passado! Que a ida deles para a Série C seja o início de um longo hiato nesse cruzamento de histórias destoantes. O Cruzeiro está de volta ao seu lugar de origem, ao seu posto de direito. E esses jogadores, todos que de alguma maneira contribuíram para esse renascimento, agora estão guardados na memória azul celeste, sendo merecedores do respeito e da gratidão da torcida estrelada.


Acabou.

Elenco Celeste campeão do Brasileirão B 2022. Foto: Flickr Cruzeiro



Um abraço aos amigos do DebateZeiros!


Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista



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