• Ezequiel Silva

O céu também está cantando

Arte: William Silva



É, amigos, o Cruzeiro voltou! 


Finalmente, podemos estufar o peito e soltar esse grito que estava engasgado há três anos. É um alívio para uma nação de apaixonados por esse clube, que tantas alegrias já nos proporcionou. É o fim de um pesadelo que outrora pareceu interminável.


Quem sofreu com as manchetes dos jornais desde o fatídico ano de 2019 não consegue mais segurar as lágrimas. Elas rolam pelo rosto quando nos lembramos de todos os dias nebulosos, da falta de esperança, de assistir diante dos nossos olhos o Cruzeiro sendo destruído e (quase) destituído de sua grandeza.


Não foi fácil! 


Tudo ficou ainda pior com o advento da pandemia da Covid-19, que devastou meio mundo, nos afastou dos estádios e levou consigo gente conhecida, parentes e amigos de quase todos nós. No meio destes, muitos cruzeirenses ilustres, anônimos, figuras históricas da torcida e outros que ainda estavam traçando o seu caminho. Outros tantos motivos também nos separaram de pessoas queridas nesse meio tempo.


Passa um filme na mente ao relembrar de todos aqueles que mereciam viver conosco essa redenção, celebrar os gols de Edu, ver o futebol envolvente de Pezzolano, vibrar com as defesas de Rafael… pois é, eles ficariam orgulhosos da nossa torcida, das festas em cada jogo - dentro ou fora de casa -, dos nossos sucessivos recordes de público.


Lá de cima, o grande Pablito certamente está feliz com a sua mágica Torcida Fanáti-Cruz, contente com o alento incansável dos velhos companheiros de arquibancada, que inflama a nação azul em tardes e noites emocionantes no Mineirão. 


O mestre Neuber não deve conseguir esconder o enorme sorriso com o renascimento do Cruzeiro e com a esperança de dias melhores. Assim como o ilustrado João Chiabi, companheiro de escrita, que seguramente está fazendo belas análises desse time do técnico Paulo Pezzolano e compartilhando com todos lá de cima a sua imensa sabedoria.


Como se esquecer da adorável Dona Rosa, a senhorinha que cantou o Penta pelas ruas de Contagem em 2017? Posso ouvi-la cantando “Oh, meu pai! Eu sou Cruzeiro, meu pai! O Cruzeiro voltou, meu pai!”.


Ao lado dela está a rainha da torcida, a maior cruzeirense de todos os tempos: Maria Salomé da Silva, a Dona Salomé. Essa retomada não está nem perto dos grandes títulos que ela viu o Cruzeiro conquistar, no entanto, ela também o celebra como se fosse o mais importante de todos, pois ela vive o Cruzeiro!


O brilho desses ilustres recebe o reforço de outros tantos, como da jovem Íris, que em vida largava tudo para ver o Cruzeiro, e de Thayná, que com sua NAV saía do Sul de Minas para agitar nas arquibancadas do Mineirão; ambas deram voz e vez às milhões de torcedoras femininas. 


Vozes essas amparadas pelo grito de “Vamos, Cruzeiro” da amiga Renatinha, que dedicava incontável tempo em prol do amor ao Cruzeiro e suas novidades. Esse grito que ecoa em cada Reduto Celeste pelo mundo, em especial na cidade de Aracaju-SE, acentuado na figura do fanático Petterson. O Cruzeiro é o mundo!


Cada um desses amigos, companheiros e irmãos do sentimento Cruzeiro, merece ser celebrado, relembrado, ter o seu legado preservado e exemplificado. Assim como os dos outros milhares que estão em nossos corações e lembranças de bons momentos. O céu também está cantando o dia da glória! 


Saudades eternas.


Um abraço aos amigos do DebateZeiros!




Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista