• Ezequiel Silva

Um time, duas faces

Já me adianto em deixar claro ao nobre leitor desse espaço que não sou um analista tático, e nem me arrisco a tal. Costumo dizer que gosto do futebol, e do Cruzeiro, pelo simples fato de ver a bola rolar, de sentir a ligação entre campo e arquibancada, de ver o time jogando bem. E desta forma, sem muito charme analítico, arrisco-me a palpitar sobre o nosso atual elenco e suas fases da lua. Mano Menezes já está, independente do resultado do jogo desta próxima quarta-feira, entre os grandes treinadores da história Celeste. E esse time, cascudo e maduro nos jogos decisivos, também está entre os grandes da nossa história. Mas há de se fazer uma ressalva: por que o atual Cruzeiro oscila de forma tão profunda em jogos de competições diferentes?


O Cruzeiro do mata-mata é frio, calculista, catimbeiro e encontra soluções em jogos muito amarrados. É um time que dá orgulho de ver jogar, que impõe o seu jogo sobre o dos seus adversários. Foi assim que conquistou duas Copas do Brasil e que fez renascer a fama de time copeiro conquistada nos anos 1990. Já nos pontos corridos, o Cruzeiro parece um time juvenil, desorganizado, sem ideia de jogo e sem nenhuma inspiração. Às vezes soa até como uma certa displicência dos atletas, que não demonstram entrega e deixam jogos fáceis escaparem pelas mãos. Foi assim que o time se arrastou e amargou um oitavo lugar em 2018 no Brasileirão, distante até das vagas para a Libertadores. E assim tem se arrastado em 2019, com um estranho 17° lugar na tabela, com apenas duas vitórias e três empates até então.

Conquista do hexacampeonato da Copa do Brasil - 2018. Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

A característica do treinador e o perfil dos jogadores pode determinar esse tipo de comportamento tão oscilante? Talvez. Não é segredo para ninguém que o Mano tem preferência pelo mata-mata, pelo jogo estratégico. Mas ele já demonstrou que pode ser genial também nos pontos corridos, como em 2015 quando da sua primeira passagem pela Toca da Raposa. Naquela ocasião, o Cruzeiro livrou-se do rebaixamento graças à surpreendente ousadia do novo treinador.


O calendário do futebol brasileiro e a obrigação de ser campeão também colaboram para que o time se comporte de tal maneira. É impossível um time brasileiro sair-se bem em todas as competições no atual desenho do calendário do nosso futebol. Em determinado momento da temporada, o clube terá que fazer uma escolha sobre o que é mais importante. E o Cruzeiro tem claramente escolhido as competições mais rentáveis e com caminho mais curto até o troféu de campeão. Mas é bom que o alerta esteja sempre ligado no Brasileirão e que venham algumas boas vitórias para tranquilizar o torcedor, que ri com o time no mata-mata, mas ri preocupado quando se lembra da situação no Campeonato Brasileiro. E sobre escolhas, a continuar desta forma no certame nacional, o Cruzeiro teria que abrir mão da Copa do Brasil ou da Libertadores para se concentrar em não ser rebaixado para a Série B. Uma escolha difícil e que nenhum torcedor cravaria a resposta correta. Certo é que não queremos ver o nosso Clube rebaixado.

Derrota por 3x1 para o Internacional, na quarta rodada do Campeonato Brasileiro 2019 - Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Nessas horas lembro-me de uma brincadeira nas redes sociais onde um torcedor sugere que o Cruzeiro contrate três treinadores: Mano Menezes para o mata-mata, Marcelo Oliveira para os pontos corridos e Adilson Baptista para os clássicos. Quem sabe essa seja a solução para os nossos problemas dentro de campo.


Abraço aos amigos e vida longa ao Cruzeiro!


Por: Ezequiel Silva - @AraraquarAzul

Edição: Renata Batista - @Re_Battista




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