O Cruzeiro vai renascer das cinzas

O momento exige apoio total ao Sérgio Santos Rodrigues.

 

Mundo Azul,

 

☻ A situação é difícil, mas, acredito muito no arrojo do Presidente e na reversão da situação – Não bastassem os problemas decorrentes da queda absurda de receita com o rebaixamento à série B, o processo de endividamento do clube agora apontado no balanço de R$ 394 milhões apenas no ano de 2019, algo realmente inexplicável, tornou ainda mais complicada a situação do nosso clube do coração.

 

Com R$ 803 milhões de dívidas, excluída a parte do PROFUT praticamente sem juros, só de custos financeiros o Cruzeiro desembolsou em 2019 o valor de R$ 127 milhões. Os custos administrativos DOBRARAM sem nenhuma explicação plausível (23 à 47 milhões). E na parte das receitas o Cruzeiro perdeu em todas as rubricas (vendas de jogadores, arrecadação de bilheteria, sócios do futebol, cotas de TV, patrocínios, etc).

 

O desafio do nosso novo presidente Sérgio Santos Rodrigues é enorme, mas, é importante se ressaltar que parte importante e fundamental das ações de ajuste já foram feitas pelo Conselho Gestor, reduzindo a folha salarial dos atletas de R$ 16 milhões mensais x 13.3 = R$ 212.8 milhões / ano para algo em torno de R$ 3 milhões mensais = R$ 39.9 milhões anuais. Ajuste positivo de R$ 172.9 milhões.

 

 Imagem: Cruzeiro/Reprodução

 

Na parte administrativa ainda estão em estudos outras medidas relevantes, mas, até aqui se estimam R$ 25 milhões anuais de redução nos gastos.

 

Cumpre destacar ainda outras ações relevantes do Conselho Gestor que foram:

  • Negociação das dívidas e retomada da relação com a Minas Arena, permitindo além da redução do valor a ser pago, uma carência importante para aliviar o caixa do clube neste período muito difícil da vida do clube.

  • Volta do Cruzeiro ao PROFUT

  • Redução das perdas de mando de campo, decorrentes de processos de 2019

  • Cancelamento de cartão de crédito corporativo, venda dos veículos e suspensão das linhas telefônicas usadas pelo presidente e diretoria do clube.

  • Nova aproximação com a gestão das equipes de vôlei SADA -Cruzeiro e busca de patrocínio para recriar a vitoriosa equipe de atletismo do Cruzeiro que sob o comando de Alexandre Minardi fez o nome do Cruzeiro brilhar no esporte.

  • Análise Geral de todos os contratos de atletas do clube

  • Envio de proposta de reforma estatutária ao Conselho Deliberativo

  • Criação do Portal da Transparência

  • Relatórios de auditorias da Moore (Auditoria contábil) e da Kroll (investigação corporativa) para dar visibilidade a todo o processo de endividamento do clube.

Porém, a única falha do Conselho Gestor foi não cumprir o pagamento de dívida de R$ 5 milhões em função da contratação de Denílson (Al Wahda – Arábia Saudita), o que resultou na perda de 6 pontos, tornando nossa tarefa de acesso muito mais complicada.

 

Antes de virar a página é importante lembrar onde começaram estas dívidas da FIFA. Todas se iniciaram por volta do segundo semestre de 2016 e até hoje não consigo entender porque o Cruzeiro contratou e deixou de pagar todo mundo (Riascos, Arrascaeta, Denílson, Ábila, Sóbis, Caicedo, Latorre, Pizano, Careca, Ezequiel, Halef Pitbull, Paulo Bento, entre outros, isto apenas na gestão do segundo mandato do Dr. Gilvan).

 

Na gestão do Wagner Pires de Sá fizeram ainda pior, o clube perdeu os direitos sobre vários jogadores por atraso de pagamento de salários e isto representou um baque absurdo nas finanças do clube. Cito por exemplo Fabrício Bruno, Ederson, David e Rafael que saíram do clube sem deixar praticamente nada nos cofres.

 

Felizmente, o novo presidente já na primeira semana de trabalho e mesmo antes de tomar posse conseguiu recursos e pagou parte da dívida do William Bigode (Zorya) que venceria na semana passada, evitando a perda de mais 6 pontos.

 

A receita líquida projetada para o ano deverá cair dos R$ 280 milhões de 2019 para R$ 80 milhões em 2020, ou seja, os ajustes acima ajudam a compensar este déficit.

 

O grande desafio de imediato será gerar receita adicional para cumprir com os compromissos do clube com seus atletas, funcionários, fornecedores e ainda quitar as dívidas que se avolumam. Digo adicional porque com a pandemia o clube não tem receitas de bilheteria, o sócio do futebol não decolou e mesmo os patrocínios sofreram abalos, projetando-se uma arrecadação ainda menor para este ano.

 

☻ Que alternativas tem o clube? – Uma opção seria se desfazer de alguns ativos para fazer caixa, mas, isto no cenário atual é muito difícil, porque em tempos de crise “cash is king” como já ensinava um dos empresários de maior sucesso no mundo e neste momento todos os ativos estão bastante depreciados.

 

Uma alternativa seria alavancar novos patrocinadores e isto já está sendo feito pelo Sérgio Santos Rodrigues com muita inteligência.

 

Outro fato importante é procurar os nossos credores e procurar acordo reduzindo o valor da dívida, o que com certeza também já está sendo praticado. Antecipar a negociação dos débitos com os clubes recuperando a nossa fama que sempre foi de um clube sério e cumpridor de seus compromissos.

 

A venda de atletas que tenham valor de mercado como Cacá, Edú, Thiago, Jadsom e Maurício também precisa ser considerada no processo de forma que se o futebol voltar, mesmo sem bilheteria o balanço do ano possa ser fechado.

 

Mas, principalmente, é hora do nosso torcedor entender que precisa ajudar o clube, se associando, comprando produtos oficiais, sendo a mudança de estatuto um fator de alavancagem, algo que certamente criaria um estímulo à associação e participação na vida do clube, com critérios de compliance e governança sérios.

 

Muito interessante a pesquisa que recebi por e-mail sob a insígnia “VAMOS CONSTRUIR UM NOVO CRUZEIRO?” a qual já respondi. Porém, gostaria de uma revisão nas categorias de sócio do clube, criando um produto VIP para atingir pessoas de alta renda, com acesso ilimitado aos jogos, acesso ao clube social e direito de voto, para gerar um volume de recursos interessante e acesso de grandes empresários, que moram fora da região metropolitana de Belo Horizonte e que apenas marcariam os dias que não estariam presentes aos jogos possibilitando disponibilidade de seu ingresso para a venda.

 

Mas, o clube também deve alavancar ajuda externa e vejo com bons olhos a aproximação com entidades relevantes para o clube com por exemplo: o governo do estado, com a CBF, com a CONMEBOL e com a FIFA. Até mesmo com a FMF a relação precisa melhorar, porque tem sido muito contrária aos interesses do Cruzeiro na maioria das situações de conflito.

 

E cumpre destacar que o nosso presidente, sempre antenado com as questões que cercam o clube, disse algo que precisa ser considerado na sua primeira fala aos atletas: “sobre o que se passou não tem muito o que fazer, mas, daqui para a frente é comigo. Página virada. Agora vamos trabalhar muito para que o Cruzeiro honre os seus compromissos e retorne ao lugar de onde não deveria sair. Confio nos dirigentes, na comissão técnica e no grupo de atletas que aqui está e vamos trabalhar juntos para voltar o Cruzeiro para a série A”.

 

☻ As homenagens desta coluna vão para quatro super cruzeirenses: Lenna Lopes, Sandrinha Fernandes, Kelly  Costa e Renata Batista

Por: João Chiabi Duarte - @JoaoChiabDuarte

Edição: Renata Batista - @Re_Battista

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