• Walace Alves

O futebol brasileiro e a mediocridade

Sei que estou sendo utópico e um pouco idealista, mas eu hoje estou assim: numa mistura de poético, saudosista e sonhador! Pra bem da verdade, quero dizer como eu queria ver nosso futebol, dentro e fora dos gramados, de uma forma bem diferente do que ele é e se encaminha para ser no futuro.



Estamos chegando às portas de mais uma Copa do Mundo e o sentimento de indiferença com a nossa seleção está incrivelmente alto. Cada dia que passa, mais e mais pessoas, se manifestam desconectadas deste antigo símbolo nacional. Até mesmo aqueles simpatizantes do futebol, que apareciam de quatro em quatro anos, durante as copas do mundo, estão sumindo. Aí eu me pergunto: até onde chegaremos?

Muitos vão dizer e argumentar que esta situação tem explicação nos casos de corrupção e no momento político do país! Claro que isto contribui ou pode contribuir, mas o buraco é mais embaixo, aliás, é muito mais embaixo, infelizmente meus amigos! Mas o mais chocante é que este fenômeno não está acontecendo somente com a seleção canarinho, ele está acontecendo com os nossos times do “coração” também!


Recentemente saiu uma pesquisa com dados alarmantes para nós, amantes do esporte bretão: cresce assustadoramente o desinteresse pelo futebol no Brasil, os dados do Datafolha nos mostram que 41% da população brasileira não se interessa pelo futebol! Eu disse 41% da população, um número absurdamente gigantesco e o pior, 10 pontos percentuais mais alto do que a pesquisa feita em 2010. Uma variação enorme num espaço de tempo muito pequeno.


Minha preocupação está longe de se restringir ao esporte em si, mas a tudo que o envolve fora dos campos, principalmente do ponto de vista econômico, são milhares de empregos diretos e indiretos e poderiam ser milhões!


Mas, a verdade é que boa parte deste desinteresse pode ser explicado pelo que acontece dentro dos clubes, federações, confederação e redações de mídia deste país! O nível do futebol praticado pelos campos brasileiros, de norte a sul, é baixíssimo! Nossos talentos estão deixando o país cada vez mais cedo.


Por outro lado, cada vez mais, temos acesso a jogos de campeonatos internacionais e a conclusão é a seguinte: se nada mudar, em breve, deveremos chamar o que se joga aqui de que qualquer outra coisa, menos futebol. A distância está ficando abismal. Hoje ainda dá pra falar em uma diferença como se fosse no basquete: NBA x FIBA mas daqui a pouco tempo vai ser como NFL e o resto do mundo no futebol americano!


Nossos técnicos são sofríveis, não entendem de tática, não tem variações de sistema e apenas copiam pedaços mais evidentes do que se faz nas grandes ligas europeias, como por exemplo: a tal da marcação alta! Não sabem a diferença que é usar uma linha de três meias na marcação, com um recuado e um de cada lado, que desarmam como volantes e avançam como meias, como fazem Barcelona, Real Madrid etc e; atuar apenas com um volante e dois meias ofensivos, que estão sempre perto da área e não conseguem voltar para marcar ao lado do volante. Chegamos ao ponto de canonizar Tite! Não se pode questionar o técnico da seleção! Tempos sombrios...


De dirigente eu me recuso a falar! A incompetência de uns, junto à desonestidade financeira, política ou histórica de outros é fundamental para manter este ciclo vicioso do nosso futebol!

Seja sincero e responda: o que aprendemos com o famigerado e fatídico 7 a 1? Nada! Não tivemos uma mudança para melhor na organização e/ou estrutura do futebol brasileiro!

Até a nossa base que sempre revelou talentos estes caras vão conseguir estragar e em breve, se não tomarmos cuidado, não revelaremos mais artistas da bola. Vira e mexe, vejo diretor e torcedor falando que a base de tal time “vem forte” porque este time ganhou um campeonato. Com coisa que um título na base é sinônimo de fortaleza. A base forte é a que revela jogador e não a que ganha campeonatos, necessariamente. Vejam o time do Cruzeiro, quantos jogadores temos da base no time principal?


Por falar em Cruzeiro e pra não dizer que não falei das flores, a Equipe Celeste se classificou, semana passada, pela fase de grupos da Libertadores (pela décima vez como líder do grupo). Parabéns ao time pela recuperação e classificação, mas foi daquele jeito Mano Menezes de ser: recuado e sofrendo! E no final aquele papo de sempre: não tem jogo fácil, Libertadores é assim, blá blá blá... Se um time está sem três titulares, tomando 2 gols em menos de 15 minutos e com seu melhor jogador não rendendo nada (talvez por estar triste por não estar entre os 23 do Sampaoli) , se isto não é jogo fácil... Mas deixa pra lá! A mediocridade...



Por: Walace Alves - @Blog_Tendencias



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