• João Chiabi Duarte

Mano Menezes passou da hora de rever conceitos

Uma derrota retumbante: Atlético-MG 2x0 Cruzeiro – Antes da bola rolar, as estatísticas do clássico eram as seguintes:

♦ Brasileiro: 67 jogos – 22 V Cruzeiro, 21 Empates e 24 V Atlético-MG – 89 GP e 86 GC.

♦ Geral: 473 jogos- 161 V Cruzeiro, 128 Empates e 184 V Atlético-MG – 606 GP e 661 GC.


O Cruzeiro vem de uma longa sequência de partidas sem vitória e uma ainda mais inédita que é estar há 6 jogos completos sem marcar um único gol, algo impensável para um elenco de qualidade como é o do Cruzeiro. Para complicar, está na Zona de Rebaixamento do Campeonato Brasileiro (o Fluminense ao vencer o Inter por 2 x 1 no Maracanã, na noite de ontem, nos ultrapassou) e vem de uma eliminação em casa, nos pênaltis, para o River Plate pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Isto sem contar a crise institucional que foi implantada no clube desde o final de maio. Os salários dos jogadores estão em dia, segundo consta, mas, a crise financeira é uma realidade que o clube tem que enfrentar.

Alt.Mineiro x Cruzeiro, 13ª rodada do Campeonato Brasileiro 2019, na Arena Independência em Belo Horizonte. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro


Do outro lado, o time atleticano, está classificado na Copa Sul-Americana, com um caminho teoricamente fácil até as finais do torneio, onde enfrentará o La Equidad (Colômbia) nas quartas de final e depois o vencedor de Zúlia (Venezuela) e Colón (Argentina) nas semifinais. E no Brasileiro ocupava a quarta posição, a 11 pontos do líder Santos (que havia goleado o Goiás no jogo das 11h por 6 x 1). Antes da partida, o técnico atleticano botou pilha no clássico, com declaração apimentada que seus jogadores haviam ficado mordidos com a eliminação na Copa do Brasil (aquela derrota de 3x0 no Mineirão foi a ÚNICA VITÓRIA DO CRUZEIRO nas últimas 17 partidas...


A arbitragem do jogo ficará a cargo do gaúcho Leandro Pedro Vuaden (RS/CBF), que auxiliado por Fabrício Vilarinho da Silva (GO/Fifa) e Neuza Inês Back (SP/Fifa). O árbitro de vídeo será Daniel Nobre Bins (RS/CBF).


O jogo iniciou como sempre com aquela fase de estudos, mas, ambos os times tentando jogar. Alguns lances mais pegados de parte a parte, porém, sem violência.


O Cruzeiro tinha maior posse de bola, porém, errava TODOS os passes na região do pensamento, ou seja, no 1/3 final do gramado. Dominava, cercava, pressionava, mas, não conseguia passar disto. O time virava o jogo de um lado para o outro, mas, não tinha penetração, não tentava as jogadas, em nome de deter a posse de bola, mas, ia até perder a posse num erro de passe. Um jogo irritante, que me fez lembrar a tática descrita por Dé o Aranha, como sendo o tal futebol caranguejo, que só vai para os lados ou para trás.


Do outro lado, o time atleticano era mais objetivo e criara 2 boas oportunidades nos primeiros 22’30” de partida, com uma conclusão de Patric de dentro da área que Fábio defendeu e em outra chegada de Cazares que Fábio operou um milagre fazendo uma boa defesa desviando para córner, embora o chute tivesse pouco ângulo... Exatamente na transição deste primeiro quarto para o segundo quarto da partida, ocorreu o lance de Orejuela com Chará que foi analisado pelo VAR (reclamou que fora agarrado) e nada foi marcado, porque não houve falta alguma, mas, foram 5’ de grande tensão para a torcida cruzeirense.


Na segunda metade do primeiro tempo o Cruzeiro jogou mais tempo dentro do campo atleticano, mas, a conclusão a gol mais perigosa foi num chute de média distância de Henrique, bem defendido por Cleiton, que tinha tranquila atuação.


Só mesmo nos lances de bola parada o Cruzeiro conseguia levar perigo, como por exemplo aos 31’, quando numa rebatida de córner, Henrique devolveu a bola de “puxeta” para a área e se não fosse o desvio de Patric, Pedro Rocha teria feito o gol de abertura do placar. Mas, a fase do Cruzeiro realmente é coisa pavorosa.


Aos 45’, num lance bobo no meio-campo, num erro de passe, Ariel Cabral perdeu a dividida para Jair, a bola sobrou para Ricardo Oliveira que serviu a Vinícius Góes que venceu Henrique (que não conseguiu nem fazer a falta) na corrida, avançou uns 20 metros e ante a chegada de Léo e Dedé chutou da entrada da área, rasteiro e a bola passou por Fábio e foi morrer dentro da rede, estabelecendo Atlético-MG 1x0 Cruzeiro. E assim os times foram para os vestiários. Mais uma vez, o Cruzeiro leva gol nos descontos de um clássico no Horto.


O terceiro quarto da partida começou com o Cruzeiro jogando dentro do campo atleticano e mais incisivo, embora sem mudanças no intervalo. De cara, Henrique quase acerta o passe para Egídio nas costas da defesa atleticana, mas, a jogada foi neutralizada pelo goleiro Cleiton.


Por volta de 8’ Cazares recebeu de Chará e da entrada da área tentou surpreender a Fábio, mas, a bola saiu por cima...


O diapasão do jogo era o mesmo. Cruzeiro com a posse de bola (chegou a ser de 65% nos primeiros 60’ de partida), mas, sem criar situações claras de gol, com arremates a gol. E sem chutar a gol, não teria como virar o placar. O time não conseguia penetrar na defesa atleticana, afunilava as jogadas e perdia os passes de preparação. E quando atacava pelas laterais, os erros de cruzamento eram irritantes.


Mano Menezes fez a substituição costumeira colocando Robinho no lugar de Ariel Cabral. E foi num passe de Robinho que Thiago Neves entrou na área, mas, caiu tentando cavar o pênalti, mas, o lance foi invalidado, com marcação de impedimento.


No Atlético, o treinador Rodrigo Santana fez a troca de Cazares por Geuvânio, que entrou bem em deu um “chutaço” na trave direita de Fábio aos 30’.


Antes de sair, Thiago Neves penetrou bem e recebeu bom cruzamento de Egídio que finalmente acertou a jogada. Cansado, extenuado, deu seu lugar a David. Em seguida foi a vez de Ricardo Oliveira, peça decorativa no ataque atleticano dar seu lugar a Papagaio.

Nesta fase da partida, não restava outra alternativa ao Cruzeiro, a não ser ir para cima. Aos 40’ foram feitas as últimas trocas (Pedro Rocha x Sassá no Cruzeiro e Nathan no posto de Vinícius no outro lado).


E numa cobrança de córner de Marquinhos Gabriel, Dedé desviou e a bola sobrou para Sassá, que bateu com violência, a bola explodiu na trave e foi para fora. O Cruzeiro quase empatou a partida aos 43’ da etapa final.


Mas, como a fase é tenebrosa, aos 46’ da etapa final, Patric cruza a bola para a área, Robinho desvia e a bola bate na cabeça de Nathan e entra decretando a derrota de forma definitiva: Atlético-MG 2x0 Cruzeiro.


E os 6’ de descontos passaram rápido, com o Cruzeiro terminando o sétimo jogo sem marcar gols: 0x0 (Botafogo), 0x2 (Atlético-MG), 0x0 (Bahia), 0x0 (River Plate), 0x2 (Athletico-PR), 0x0 (River Plate) e 0x2 (Atlético-MG).


Nos vestiários, Mano Menezes chegou a entregar o cargo, mas, a diretoria do Cruzeiro não aceitou a demissão e disse continuar confiando no treinador.


Na coletiva Mano Menezes salientou o seguinte: “Eu sempre trabalho com transparência. Antes de vir aqui (na sala de imprensa) eu fiz uma reunião lá dentro do vestiário e deixei as pessoas da direção muito à vontade se elas quisessem tomar uma atitude que não fosse pela continuação do trabalho. Comigo não há constrangimento. Eu sei do momento que estamos passando e como está grande este momento para a realidade do Cruzeiro e para a realidade dos treinadores do futebol brasileiro. Não quero ser eu o empecilho para a recuperação do Cruzeiro. Então, deixei bem claro antes de vir aqui. A direção colocou a confiança no trabalho do treinador, e eu tenho a confiança que posso fazer, juntamente com os jogadores, essa recuperação.”

Mano Menezes ainda confia em reação do Cruzeiro no Brasileiro. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro


O volante e capitão Henrique disse ao final da partida que “temos que rever alguns conceitos nossos, algumas coisas que deixamos de colocar dentro de campo. Colocar alma, vontade, coração, para conseguirmos reverter essa situação. Não adianta vir aqui ficar dando explicações, o negócio é vir dentro de campo e fazer. Não adianta ficar falando, com discurso legal e não mostrar dentro de campo. Portanto, vamos conversar para acertar isso. Conversar, cobrar, para que as coisas se revertam ao nosso favor”


☻ Os lances mais relevantes da partida:


☻ 01’ – Vinícius recebe a bola na direita, adianta, mas, ainda assim mete o bicudo. A bola sai forte, torta, mas, Fábio faz a defesa.


☻ 07’ – Atlético avança pela direita. Vinícius cruza, Ricardo Oliveira cabeceia, Fábio faz a defesa parcial a bola sobra entre Chará e Patric, que chuta para defesa segura de Fábio.


☻ 22’ – DEFEZAÇA DE FÁBIO - Combinação entre Chará e Cazares pela esquerda. O meia recebe quase na linha de fundo, passa por Orejuela, traz para dentro e finaliza para uma ótima defesa de Fábio que desvia para córner, num lance de muito perigo.


☻ 23’ – VAR EM USO - Na cobrança do córner, Rever disputa com Henrique no meio da área e faz a carga faltosa, o lance prossegue e a bola é recolocada na área em direção de Chará, Orejuela faz a proteção e o braço esquerdo do lateral do Cruzeiro bate na cara o colombiano que fica pedindo pênalti. Após longa troca de informações, Vuaden revê o lance e marca a falta inicial de Rever. Márcio Rezende de Freitas exigindo a marcação do pênalti, Sálvio Fagundes no SporTv, também viu pênalti de Orejuela em Chará, mas, depois reconheceu que houve a falta de Rever em Henrique. Bola parada por 5’.


☺ 31’ – Primeira estocada com perigo do Cruzeiro. Orejuela combina com Thiago Neves e cruza. Igor Rabelo põe a corner. Na cobrança após rebote da defesa Henrique recoloca a bola na área e quando Pedro Rocha ia fazer o gol, Patric desviou e salvou o time atleticano.


☻ 37’ – Atlético avança pela esquerda e Cazares acha Chará dentro da área. Ele vira e chuta forte no meio do gol. Fábio defende com segurança.


☻ 40’ – Agora é Patric que recebe na direita, corta Egídio e solta a perna de canhota, com a bola saindo à direita de Fábio, que dá bronca na defesa inteira.


☺ 41’ – DEFEZAÇA DE CLEITON (melhor chance do Cruzeiro no 1º tempo) – Boa descida de Henrique pela direita, com um chutaço em curva que tinha endereço certo, mas, Cleiton voa e faz defesa espetacular mandando para córner.


☻ 45’ – GOL DO ATLÉTICO-MG – Thiago Neves erra um passe no meio-campo em direção a Ariel Cabral. Jair retoma e lança Ricardo Oliveira, ainda no círculo central. Este passa a bola para Vinícius Góes que passa por Henrique, que não consegue nem fazer a falta e ante a chegada de Dedé e Léo chuta cruzado, rasteiro, da entrada da área. A bola vence Fábio e morre na rede do lado direito do nosso goleiro. Atlético-MG 1 x 0 Cruzeiro. Festa no outro lado.


45 + 5’ – Fim do 1º tempo. A torcida atleticana faz festa para o seu time. O Cruzeiro teve mais posse de bola, mas, de fato e direito, não criou chances de gol, exceto um chute de média distância de Henrique. Teve a posse de bola, mas, errou TODOS os lances importantes, falhou nas tabelas e cruzamentos.


☻ 53’ – Cazares recebe de Elias no lado direito a 5 metros da risca da grande área. A bola sobe, chega Ariel Cabral na cobertura e mesmo assim ele chuta a gol, com a bola passando perto da meta de Fábio.

☺ 61’ – Egídio retoma a bola na intermediária e vê o goleiro atleticano fora de posição, chuta forte em curva, mas, o goleiro volta a tempo e defende com alguma dificuldade.


☺ 68’ – Robinho aparece livre na intermediária atleticana, recebe bolão de Orejuela e enfia a bola para Thiago Neves que tenta passar pelo goleiro e cai de maduro. Por sorte, havia sido marcado o impedimento, senão ele teria que ser expulso por Vuaden por simulação. Ele já tinha cartão amarelo por uma entrada em Igor Rabelo na etapa inicial.


☻ 71’ – VACILADA FEIA DE DEDÉ - Dedé ganha bem de Ricardo Oliveira, mas falha feio ao tentar rebater a bola. Ricardo Oliveira retoma e toca para Vinicius, que escora para Chará, mas o colombiano é travado por Léo.


☻ 75’ – Geuvânio passa por Egídio deriva para o centro e chuta forte. A bola passa por Fábio e explode na trave direita.


☺ 76’ – Egídio recebe de Robinho e cruza da intermediária. Thiago Neves se antecipa a Igor Rabelo e cabeceia forte...a bola vai para fora.


☺ 88’ – NA TRAVE - Marquinhos Gabriel cobra escanteio, Dedé desvia na primeira trave. Na segunda, Sassá domina e finaliza com muita violência, acertando a trave.


☻ 91’ – GOL DO ATLÉTICO-MG – Atlético-MG sai em contra-ataque com Nathan, que abre na direita para Patric. O lateral cruza mal, mas Robinho desvia e, sem querer, deixa no jeito para Nathan finalizar de cabeça para as redes, fazendo o placar final: Atlético-MG 2x0 Cruzeiro.


90 + 6’ – Fim do Jogo – Atlético-MG 2x0 Cruzeiro – O Cruzeiro tem incorrido nos mesmos erros sempre. Desatenção em momentos cruciais do jogo. Erros de passe em demasia quando entram no terço final, na hora de atacar o adversário. Hoje, não ficou encolhido atrás do meio-campo o tempo inteiro. Tentou jogar, mas, mesmo tendo a posse de bola na maior parte do tempo, não conseguiu fazer gol, pelo sétimo jogo consecutivo, coisa jamais vista em nossa história.


♦ OPINIÃO: Também não concordaria com a demissão de Mano Menezes hoje, apesar de todos estes eventos negativos. Mas, reconheço que um mau resultado diante do Inter tornará insustentável a posição do treinador. Aliás, mais que um mau resultado é o time do Cruzeiro voltar a jogar este futebol insosso, improdutivo, infrutífero, de posse de bola estéril. Sem atitude e agressividade. Roda a bola até na intermediária e volta na defesa. Não vi os dados de posse de bola, mas, seguramente Dedé, Léo, Henrique e Ariel Cabral foram os que mais pegaram na bola. Dedé ainda tentou algumas ligações diretas, mas, fato é que o Cruzeiro é um time altamente previsível, fácil de marcar, com muitos erros de posicionamento dos dois volantes e três meias de aproximação, que estão fazendo a torcida se irritar com o NOVE, que a rigor não recebeu mais uma vez NENHUMA BOLA em boas condições de concluir a gol. É por esta razão, que além de alma, coração, entrega, raça, gana é tempo também de rever alguns conceitos, porque do jeito que a coisa anda, o cenário não vai mudar e tende a se agravar.


SÚMULA DA PARTIDA: ATLÉTICO-MG 2x0 CRUZEIRO


☻ Motivo: 13ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 2019

☻ Data, Local, Hora: Horto, Belo Horizonte, Domingo, 04/08/2019, 19:00 h

☻ Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden (RS/CBF), auxiliado por Fabrício Vilarinho da Silva (GO/Fifa) e Neuza Inês Back (SP/Fifa), com boa atuação, sem interferência no resultado, porém, com demora exagerada nas consultas ao VAR.

☻ Árbitro de vídeo: Daniel Nobre Bins / Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS/CBF),

☻ Cartões amarelos: Orejuela, Fred, Thiago Neves (Cruzeiro) e Jair e Elias (Atlético)

☻ Cartão vermelho: não houve.

☻ Público Presente: 13.181 torcedores

☻ Renda: R$ 546.290,00 (ticket médio = R$ 41,44 = US$ 10.90)


☻ ATLÉTICO-MG: Cleiton; Patric, Igor Rabelo, Rever e Fábio Santos; Jair e Elias; Vinícius Góes, Cazares e Chará; Ricardo Oliveira.

DT: Rodrigo Santana


☺CRUZEIRO: Fábio; Orejuela, Dedé, Léo e Egídio; Henrique e Ariel Cabral (Robinho); Thiago Neves (David) e Marquinhos Gabriel; Fred e Pedro Rocha (Sassá)

DT: Mano Menezes


Homenagens desta coluna vão para a turma do GDT: Humberto Peixoto, Cássio Resende, Breno Campos, Fernando Rabelo, Icaro Martins, Larissa Martins, Duílio Vitor, Allan Kelwin, Raphael Allan, Rafael Santos e Caio Felipe.


De Conceição do Mato Dentro - MG e Região: Antônio Augusto Barros, Oswaldo Luiz Chiabi de Queiroz, Arilson Chiabi Simões, Dênio Pires Silva, João Bosco Costa Lima, Cristiano Sá, Fernando Antônio Rajão Costa, Sebastião Ronaldo Mascarenhas, Geraldo Reis Maia, Renato Soares de Carvalho (Fubá) e Geraldo Dias de Carvalho (Bigode). E para comandar este time de gente boa da terra convoco o brilhante causídico Dalmar Duarte Santana, por razões óbvias.


“Cruzeiro, Cruzeiro Querido...Tão Combatido, Jamais Vencido”


Por: João Chiabi Duarte - @JoaoChiabDuarte

Edição: Renata Batista - @Re_Battista

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