• Ezequiel Silva

A despedida de um craque

O Mineirão - palco que viu grandes craques do futebol desfilarem seus talentos durante décadas douradas - assistiu na tarde/noite de 13 de novembro de 2022 à derradeira apresentação de outro magnífico gigante, Milton Nascimento.


Camisa 10 da música e tradução da presença divina na Terra, Bituca vestiu o místico manto e subiu ao campo pela última vez para mostrar a sua arte e se despedir dos fãs, que mostraram toda sua devoção esgotando os 60 mil ingressos disponíveis e cantando todo o repertório a plenos pulmões.


Como o craque que rege o time e dita a toada da torcida, Milton comandou pela última vez uma multidão, durante duas horas e meia de espetáculo. E não decepcionou quem foi ao estádio ver grandes jogadas, digo, músicas… passeou pelos sucessos que emocionam e mostram o por quê dele estar no patamar dos gigantes.


Bituca é filho do Rio, mas de mãe mineira. Criado em Três Pontas-MG, desde cedo se tornou mineiro de coração. Na juventude conheceu Belo Horizonte, os bailes do clube do Cruzeiro no Barro Preto, os Borges e decolou na carreira de músico. Uniu-se ao povo azul, assim como Clara Nunes, numa comunhão eterna.

Milton recebe um manto celeste e uma homenagem do Cruzeiro pelas mãos do cantor Samuel Rosa


Encantado com o talento de Tostão - expressão maior do Cruzeiro -, Milton dedicou-lhe música e fez trilha sonora de filme em homenagem ao craque. Décadas depois, tornou-se embaixador do clube mundo afora. 


Da mesma maneira que o craque Tostão, Milton ganhou o planeta, tornou-se expressão da mineiridade além das fronteiras e encheu de orgulho toda uma gente. Entrou para o rol dos maiores do mundo.


Um Mineirão lotado é o mínimo que Milton Nascimento merecia para a sua despedida dos palcos. Só mesmo um palco que viu tanta gente boa desfilando seu talento poderia receber um craque da dimensão de Bituca.


A música de Milton é sentimento, sua voz é a própria expressão da paz. Que o merecido descanso dos palcos - da música, jamais - seja em harmonia e com dias de alegria, a mesma alegria que ele nos proporciona com suas composições.


Obrigado, Bituca!



Um abraço aos amigos do DebateZeiros.


Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista