• Ezequiel Silva

Um jogo para a história

Campanhas históricas costumam contar com partidas marcantes - foi assim nos grandes títulos do Cruzeiro. Para a maioria dos torcedores, a final de um campeonato é sempre o confronto mais memorável; no entanto, para outros, um jogo ali durante a trajetória marca, por um motivo ou outro.


E por mais que os pontos corridos não tenham propriamente uma final “clássica”, há jogos que marcam mais, por uma série de motivos: uma disputa direta por posição, um elemento externo que agiganta a rivalidade ali envolvida, uma definição de título… e assim foi o Cruzeiro x Bahia, na última rodada.


A começar pela crise vivida pelo Cruzeiro na volta da partida em Maceió, diante do CSA. Não bastasse o desgaste natural dos atletas, diante da maratona de jogos, parte do elenco e da comissão técnica foram acometidos por uma intoxicação intestinal devido à crise de saneamento pela qual passa a capital alagoana. Nada menos que sete jogadores - entre eles, o goleiro Rafael Cabral - foram afetados pela ocorrência. O clube preferiu não revelar a situação, para não causar uma apreensão coletiva, e divulgou os detalhes somente após o jogo contra o tricolor baiano.  


Falando da partida, havia por parte da torcida celeste um certo sentimento de revanche diante do Bahia, pelos acontecimentos no jogo de estreia no campeonato, quando o Cruzeiro foi derrotado em Salvador. Isso sem contar a rivalidade histórica entre os dois clubes, acostumados por muitas décadas a se enfrentarem na Série A. Para entrar no clima, os jogadores desceram a pé do ônibus em meio à torcida, ainda na avenida que dá acesso ao Mineirão - o técnico Paulo Pezzolano foi carregado pelos mais exaltados.


O clima no Mineirão era de final - assim como pediu Pezzolano após o empate com o CSA. Torcida em peso mais uma vez, e time ligado na missão. A arbitragem quis estragar o espetáculo, com a sua falta de critério em lances iguais de ambos os lados: para o Cruzeiro, cartão amarelo, para o Bahia nem advertência verbal. A falta do gol azul e branco deixava tudo mais apreensivo, e o primeiro tempo terminou tenso.


Veio a segunda etapa, tensão lá em cima… e aconteceu a expulsão de Eduardo Brock, o xerife da zaga, e um dos pilares do time. Não deu nem tempo das dezenas de torcedores do time baiano que estavam na arquibancada comemorarem direito o “gol”, o jovem Stênio, cria da Toca e que voltou de empréstimo ao Torino-ITA, fuzilou as redes do bom Danilo Fernandes e provocou um pandemônio na arquibancadas do Mineirão. A Nação Azul explodindo em êxtase é uma das imagens mais lindas que se pode ver na face da Terra. 

Foto: Flickr Cruzeiro


Dali para frente, quem jogou (ainda mais) foi a torcida do Cruzeiro. Em perfeita comunhão com o time, suprimos a falta do capitão celeste dentro de campo e vibramos a cada dividida, ajudamos a roubar a bola dos pés trêmulos dos tricolores e pulamos junto com Rafael Cabral em cada uma das suas defesas milagrosas. E, ao final, também agradecemos ao abençoado travessão pela providencial ajuda, em momento tão crítico da partida.


A comunhão entre as diversas faces do povo azul é realmente encantadora. Ver senhoras e senhores idosos pulando feito crianças no concreto do Gigante da Pampulha, chorando copiosamente e abraçando fraternalmente desconhecidos que poderiam ser seus netos, em uma comunhão de alegria inexplicável, é uma imagem que traduz o que é o futebol e o que é SER CRUZEIRO. 


Saí sem voz do Mineirão, mas com um sentimento renovado. Um sentimento de missão cumprida, sentimento de que vivi um jogo memorável, de uma campanha igualmente memorável, e com a certeza de que o Cruzeiro é muito maior do que um dia pudemos pensar. Mais uma vez, o Cruzeiro provou o seu gigantismo e deu um importante passo nesse doloroso processo de reconstrução. Seguimos firmes rumo ao objetivo.


Vamos Cruzeiro! Vamos lutar! Vamos jogar com raça! Sair dessa desgraça e voltar pra Série A!!!


Um abraço aos amigos do DebateZeiros!



Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista