• Ezequiel Silva

O 11º título nacional do Cruzeiro - o renascimento

“Na realidade é um grande campeão!”


Essa frase de Jadir Ambrósio no hino oficial do Cruzeiro constatou, ainda em 1965, a predisposição do clube celeste para as conquistas, as glórias e as taças. Antes mesmo dessas palavras serem magicamente conectadas na obra-prima do compositor mineiro, o Palestra já empilhava troféus em sua galeria, e o Cruzeiro já se mostrava atrevido e prestes a romper as barreiras de Minas.


Até então Tri-Tricampeão Mineiro (1928/29/30, 1943/44/45 e 1959/60/61), o Cruzeiro arrebataria o Brasil em 1966 com a sua primeira conquista em âmbito nacional, em cima de nada menos que o Santos de Pelé & cia. Também nesse período, o recém-inaugurado Mineirão viu o Cruzeiro enfileirar cinco troféus estaduais consecutivos (1965/66/67/68/69).


Em nossa história, sempre ligada às taças, ainda chegamos bem perto do troféu máximo nacional nos anos seguintes, quando o azar (1969), acontecimentos alheios à desportividade (1974) e um timaço adversário (1976) nos impediram de reconquistar o Brasil. 


Mas o desejo de pintar o país de azul nunca cessou. Nos anos 1990, a Copa do Brasil nos devolveu o gostinho de estar no topo, de gritar para o Brasil inteiro ouvir; 1993, 1996, 2000… a Tríplice Coroa, em 2003, foi a cereja do bolo: campeão nacional duas vezes no mesmo ano. Indescritível!


Esbarramos outras vezes nas intempéries do futebol (1998, 2010, 2011…), mas a glória veio novamente em 2013, e a dose se repetiu deliciosamente em 2014. O Cruzeiro tem verdadeira ambição por troféus, e no sangue da torcida transcorre essa gana, transbordando em orgulho - muitas vezes, confundido com arrogância.


Porém, como negar seu orgulho em torcer para um clube que derrota em anos consecutivos os times de maior torcida do país? As finais das Copas de 2017 e 2018 são inesquecíveis. A trajetória e o desfecho tão particular de cada uma delas encheram o peito, a alma e o espírito de cada cruzeirense de uma alegria insana.


Caímos! Alguns parasitas tentaram tirar de nós esse orgulho em sermos cruzeirenses. Outros chegaram a nos convencer de que a nossa vocação para as taças estava acabada. 


No entanto, a redenção veio, os anos de pesadelo acabaram, e o Cruzeiro, dominando de ponta a ponta, atropelando recordes e resgatando a sua essência vencedora, arrebatou para si o troféu da Série B de 2022. Uma conquista que honra, acima de tudo, a história dos palestrinos, dos Fantoni, dos fundadores, dos primeiros torcedores, de Dirceu, de Zé Carlos e tantos outros, que, de alguma maneira, dedicaram tempo e amor ao Palestra/Cruzeiro. 

Elenco Celeste 2022 - Foto: Staff Images


Foram necessárias 32 rodadas para o título mais rápido da história: 21 vitórias, 8 empates, 3 derrotas (nenhuma sob seus domínios), 48 gols a favor… não foi fácil, foram 32 batalhas, 71 pontos arrancados com muita dificuldade de cada rival, mas acompanhados e apoiados de perto pela maior torcida de Minas, presente em todos os cantos onde o Cruzeiro está.


Ainda é pouco, comparado à história grandiosa do Palestra/Cruzeiro, mas essa taça é a personificação do renascimento, o marco delimitante entre o calvário e a retomada da vocação vencedora do Cruzeiro Esporte Clube. 


Um abraço aos amigos do DebateZeiros!


Abaixo, todas as conquistas NACIONAIS do Cruzeiro:


Campeonato Brasileiro: 1966, 2003, 2013, 2014

Copa do Brasil: 1993, 1996, 2000, 2003, 2017, 2018

Campeonato Brasileiro - Série B: 2022



Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista