• Ezequiel Silva

Copa do Brasil: uma tradição em azul e branco

A imagem do Cruzeiro resplandece!


O célebre verso do hino nacional brasileiro é naturalmente atrelado ao Maior de Minas e entoado a plenos pulmões pela torcida estrelada nos estádios mundo afora. Uma espécie de mantra que nos une, demonstra o nosso orgulho em pertencer a esse gigante e também em ostentar em nossas camisas um dos grandes símbolos nacionais.


O Cruzeiro resplandece imponente sob o céu do Brasil, seja em qual fase for, em qual competição esteja, a camisa azul com as cinco estrelas cravadas do lado esquerdo é reconhecida aonde quer que estejamos, e impõe respeito, seja em que gramado ela adentre.


Existe, entretanto, uma determinada competição onde o brilho das cinco estrelas é ainda mais forte: a Copa do Brasil - certame que teve iniciada nesta terça-feira, 22, a disputa da sua 34ª edição. Em 2022, será a 26ª participação do Cruzeiro na Copa.

Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil 2017. Foto: Daniel Teobaldo


Houve um tempo em que os times brasileiros participantes da Libertadores não podiam jogar a Copa do Brasil, devido à divergência de datas para as duas competições simultâneas. Por causa disso, o Cruzeiro tem 25 participações no mais tradicional mata-mata do país, alcançando 11 semifinais, chegando a 8 finais e conquistando 6 títulos (o maior campeão!). É o único clube que foi bicampeão de fato, levantando a taça em duas edições consecutivas, em 2017 e 2018.


Dos seis troféus levados para o Barro Preto, três foram em cima do Trio de Ferro Paulistano: Palmeiras (1996), São Paulo (2000) e Corinthians (2018); dois sobre o clube mais popular do país, o Flamengo (2003 e 2017), e um sobre o seu grande rival em termos de Copa do Brasil, o Grêmio (1993). Grandes adversários a nível nacional e que valorizam em muito cada uma das taças.


O Cruzeiro foi campeão em todos os formatos da Copa do Brasil, venceu jogando desde a primeira fase e também entrando a partir de fases mais avançadas; foi campeão dentro e fora de casa, no tempo regulamentar e nos pênaltis. Entre os dez maiores públicos da Copa do Brasil, quatro contam com a presença do Cruzeiro - três como mandante do jogo. O Grêmio, detentor de cinco troféus da competição, por exemplo, não figura na lista dos maiores públicos.


Com efeito, a Copa traz consigo também grandes recordações. É viva na memória dos noventistas mais saudosos a noite em que a camisa branca assombrou os tricolores do Sul em um Mineirão tomado por uma energia insana e que explodiu com os gols de Roberto Gaúcho e Cleisson, em nossa primeira conquista. A taça, com uma de suas “asas” quebradas pelo êxtase durante a celebração do título, repousa em nossa sede com as marcas daquele dia épico.


E como se esquecer do bicampeonato em pleno Parque Antártica, e com a mais pura alma copeira, em noite comandada por Roberto Gaúcho, Dida em sua mais perfeita apresentação e Marcelo decisivo como poucos? Os guerreiros celestes causaram espanto nos confiantes paulistas em uma disputa que entrou para a história e cravou de vez a mística azul dentro do estádio verde.


Geovanni e seu chute abençoado aos 44 minutos do segundo tempo contra o São Paulo, em 2000, merecem um capítulo à parte, algum dia, nesta coluna. Aquele jogo é tão épico e contém tantos personagens, que duas ou três linhas não seriam suficientes para descrever a mágica proporcionada pela explosão em azul naquele domingo, na Pampulha. Ainda hoje, a lembrança do tri é causadora de sentimentos de emoção em cruzeirenses, e de tristeza nos são-paulinos.

Cruzeiro, campeão Copa do Brasil 2000 - Geovanni e Müller na cobrança de falta do gol do título contra o São Paulo, na vitória por 2 a 1 no Mineirão. Foto: Divulgação Super Esportes/Paulo Filgueiras/EM. Brasil


A magia de Alex, em 2003, regente da orquestra do mestre Luxemburgo e um dos responsáveis pela destruição do time do Flamengo em apenas 45 minutos de jogo. Ah, o gol acrobático de Aristizábal, a liderança de Luisão e a maturidade de Gladstone… o tetra é inesquecível.

Jogadores do Cruzeiro, no meio de repórteres, comemorando a conquista com a taça da Copa do Brasil de 2003


A cabeçada magistral de Hudson contra o Grêmio, os gols de Barcos anulando qualquer sonho palmeirense, as defesas de Fábio nas disputas de pênaltis e a Arena de Itaquera sendo copada pela nação azul são marcas registradas dos últimos bons capítulos da epopeia azul na Copa do Brasil. O penta e o hexa foram históricos e emocionantes!


Invariavelmente, o Cruzeiro derrubou gigantes, passou por zebras, tropeçou algumas vezes, mas esteve sempre ali marcando presença em um território que parece lhe pertencer desde as primeiras edições. Existe uma certa mística de pertencimento entre a taça, o Cruzeiro e o seu povo; e, sem dúvida, somos quem melhor representa o espírito da Copa do Brasil e quem mais o mantém vivo. Afinal, ser o maior campeão de uma competição nacional no Brasil, e ainda mais sendo um clube de fora do Eixo Rio-São Paulo, não é para qualquer um. Tem que ser gigante!


Vamos, Cruzeiro!


Um abraço aos amigos do DebateZeiros.



Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista