• Ezequiel Silva

A casa do Cruzeiro é o Mineirão

Da vitória por 3x1 sobre o Villa Nova, em 15 de setembro de 1965 - primeira partida do Cruzeiro no Mineirão -, até o 1x0 contra o Democrata GV, na noite do último dia 9 de fevereiro, o Maior de Minas adentrou ao gramado sagrado da Pampulha em 1.837 oportunidades. Um retrospecto de 1.128 vitórias, 419 empates e 290 derrotas; os jogadores cruzeirenses marcaram 3.595 gols e sofreram 1.475.


Nos clássicos contra o principal rival regional, o Cruzeiro disputou 246 partidas no Gigante, sendo 90 vitórias, 79 empates e 77 derrotas. Desde 1965, foram disputadas 57 edições do Campeonato Mineiro, com o Cruzeiro levantando 27 troféus. Boa parte das nossas conquistas nacionais e internacionais também foram levantadas ali dentro: uma Taça Libertadores, uma Supercopa, dois Brasileiros, quatro Copas do Brasil, duas Copas Sul-Minas, entre outras.

Mineirão - a casa do Cruzeiro. Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press


Durante uma temporada normal - com Estadual, Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil -, o Cruzeiro disputa algo entre 30 e 40 partidas em casa, com uma média de 25.000 pessoas presentes - em 2019, último ano na Série A, o Cruzeiro levou pouco mais de 1 milhão de pessoas ao Mineirão em 34 partidas, atingindo uma média de quase 30.000 pessoas por jogo. Em 22 de junho de 1997, 132.834 pessoas estabeleceram o recorde de público presente no estádio, quando o Cruzeiro venceu o Villa Nova por 1x0 na final do Campeonato Mineiro daquele ano.


Não é demagogia, é fato. Esses números, e muitos outros, comprovam: o Mineirão é a casa do Cruzeiro e de sua torcida. Entretanto, a complicadíssima fase financeira atravessada pelo clube tem obrigado a direção a procurar soluções menos prejudiciais ao caixa, uma vez que o Mineirão é um estádio caro para o Cruzeiro atuar.


Aí que surge o Independência, uma escolha óbvia quando vista apenas pelo lado financeiro. Pois, assim como grande parte da nossa torcida, eu também não vejo o estádio do Horto como uma “casa” do Cruzeiro. É um campo opcional para o Cruzeiro mandar seus jogos em Belo Horizonte, e só.


Na Pitangui, o Cruzeiro nunca viveu boas fases em sua história. Os cruzeirenses pré-Mineirão sempre se identificaram mais com o JK (Barro Preto) do que com o Horto, desde os tempos em que o estádio ainda pertencia ao Sete de Setembro. E as gerações pós-1965 não conseguem distinguir o Cruzeiro do Mineirão, e jamais conseguirão ver o Independência no papel de palco principal dos nossos jogos.


Está claro que o Mineirão é oneroso, e que na atual fase o Cruzeiro vai continuar pesando os valores antes de levar seus jogos para lá. Por essa razão, e muitas outras, a questão financeira do Cruzeiro precisa ser resolvida. O clube não pode ficar à mercê de jogos em um estádio onde a torcida não se sente confortável.


Em um futuro próximo, com a inauguração do estádio da MRV, também em formato multiuso, certamente o Mineirão sofrerá concorrência pelos grandes eventos na cidade de Belo Horizonte. E por mais que pareça estranho para alguns cruzeirenses, a inauguração do estádio da construtora pode ser benéfica ao Cruzeiro se pensarmos que, com essa concorrência, o Mineirão pode vir a rever sua relação com o clube, um dos seus principais clientes e que arrasta consigo um enorme mercado consumidor.


Espera-se que podendo perder eventos em outras áreas, e com apenas um cliente “fixo”, a gestão do estádio volte os ouvidos para o lado azul da cidade. E mais ainda, que o Cruzeiro entre nos eixos financeiramente, e volte de maneira definitiva para a sua verdadeira casa.


Um abraço aos amigos do DebateZeiros!




Por: Ezequiel Silva - @ezequielssilva89

Edição: Renata Batista - @Re_Battista