Vivemos cheios de vaidade

 

Olá amigos cruzeirenses, desde já gostaria de esclarecer que não é a minha intenção ser o “dono da razão”. E claramente, ninguém é obrigado a concordar comigo. Tudo aqui é apenas a opinião de um simples torcedor de arquibancada.

 

A festa na última quarta-feira, 17/01, estava linda, um Mineirão cheio, uma torcida empolgada, um adversário razoavelmente fácil e um time que trazia milhares de expectativas. A ideia era ver um estádio pulsante, num verdadeiro estilo caldeirão.  E não pela importância do jogo, que nunca deixou de ser uma rodada do Rural, mas pela quantidade de torcedores que ali estavam. Seria uma espécie de “treino” para as batalhas que teremos contra grandes adversários na Libertadores.

 

Entretanto, na maioria do tempo, me senti decepcionado. Não pelo que acontecia em campo, que apesar do início da temporada, me agradou bastante. A decepção estava ali, junto comigo, nas arquibancadas. E logo eu, um profundo admirador da torcida cruzeirense e da festa que ela proporcionava desde a minha infância, quando comecei a frequentar o Gigante da Pampulha. Fato é que, deixando o clubismo de lado, que nos faz defender com unhas e dentes que a nossa torcida é a mais vibrante do mundo, precisamos algumas vezes assumir a realidade sobre nós mesmos. E o fato é que estamos deixando a desejar no quesito festa de arquibancada. E antes que mentalmente você me xingue com todos os adjetivos possíveis, inclusive pensando que “esse cara é uma Franga”; me permitam a explicação.

 

Nunca entendi e sequer recebi uma justificativa plausível sobre a existência de diferentes torcidas organizadas de um mesmo time. Se todos somos torcedores e se a nossa função é a de torcer por nosso clube, qual diferença pode existir entre um torcedor e outro? Não somos todos cruzeirenses? Não somos todos agraciados por um mesmo amor e uma paixão comum? Então porque tal desunião e diferença de nomes?

 Foto:Agência i7

 

Certa vez, quando indaguei alguns torcedores organizados sobre isso, recebi o esclarecimento de que seria como uma religião, onde todos buscariam o mesmo deus, mas por caminhos diferentes. Ou que as torcidas possuem uma “ideologia” distinta. Não fiquei convencido. Não sou nenhum estudioso de religiões e nem consigo entender qual ideologia pode ser mais forte que a de amar o Cruzeiro Esporte Clube, como meu único time do coração. Seriam essas ideologias um disfarce para interesses pessoais? Porque já que nosso interesse em comum é o bem do Cruzeiro, o único interesse que nos difere só pode ter origem em âmbito pessoal. E isso não pode e não deve estar acima do amor pelo Cruzeiro.


(Novamente esclareço: esta é a minha opinião, e tão somente minha. Obrigado, voltem ao texto ☺)

 

Diante disso, te convido a raciocinar sobre a atualidade das arquibancadas. Se você já teve a oportunidade de ir ao Independência em algum clássico contra o CAM, vai se lembrar de que em todos eles, a torcida cruzeirense proporcionou verdadeiros espetáculos. E sabe porque calamos os galináceos dentro da casa deles? Simplesmente porque lá, nós cantamos sempre JUNTOS. Não havia nenhum tipo de divisão. Estamos todos num setor mínimo, não autorizam as baterias e por causa disso, só cantamos uma música de cada vez. E é espetacular!

 

Agora convido a se lembrarem do Maracanã. Lá estivemos em 2017, na final da Copa do Brasil e em alguns outros jogos dos Brasileiros de 2013 e 2014. O espetáculo foi o mesmo, assim como a justificativa dele. Por mais que o espaço seja maior que no Independência, a união permanece. As torcidas se juntam e esquecem suas diferenças. O resultado é aquela festa, que chamou a atenção de todo o Brasil.

 

Pois bem, conseguimos isso no Horto, no Maracanã e em quaisquer estádios onde somos visitantes. Mas não passamos nem perto disso em nossa própria casa!! No Mineirão, mais precisamente no superior C, três organizadas cantam na maioria das vezes, para si mesmas. Uma, no objetivo de ser a “torcida mais vibrante do Brasil”, se isola das demais e de fato, canta quase que o tempo todo. Mas sempre sozinha.

 

Aquela outra, a maior e mais famosa, insiste com cânticos de guerra contra a Polícia e organizadas de outros clubes; além de se preocupar mais com a “maconha e cerveja que sobem á mente e a cocaína que cheiram loucamente”, do que em empurrar o time que está lá em campo. Por estar em maioria, geralmente engole as outras, que se isolam ainda mais.

 

A outra torcida insiste num estilo argentino de cantar, que JAMAIS será adotado por nossa cultura. Num ritmo completamente distante das demais e com músicas extremamente longas, irritantes e de cunho pessoal, não aceita entrar no ritmo das demais.

 

No meio dessa guerra toda, está o torcedor comum. Ele não é afiliado a nenhuma organizada, mas as admira e reconhece o esforço, as viagens, os horários complicados e toda a dedicação que elas possuem; e sabe que se tivesse condições, faria o mesmo. Todavia, o desejo desse torcedor comum é a festa. A admiração dele também é pelas músicas, o ritmo, os batuques. Mas ele simplesmente não consegue acompanhá-las. São 3, 4 músicas cantadas ao mesmo tempo, cada uma num ritmo diferente. Assim, fica quase impossível chegar em outros setores e a festa deixa de ser tão legal.

 

Me lembro inclusive que em 2015, após perder um clássico, as torcidas organizadas decidiram fazer uma greve na próxima partida, que era de Libertadores. Só entrariam nas arquibancadas após alguns minutos de jogo. Mas se surpreenderam quando os tais torcedores comuns fizeram o Mineirão vibrar de maneira intensa, porque sem a guerra de organizadas, todos cantaram numa só voz e num só ritmo. O Mineirão estava lindo. Entretanto, quando as organizadas decidiram entrar no estádio, a guerra e confusão voltou.

 

A intenção jamais seria a de atacar nenhuma organizada, ou acusar ninguém de absolutamente nada. Mas, se o objetivo de vocês é só torcer, então porque não se unem como fazem no Horto, no Maracanã e naquela final de Copa do Brasil em 2014? Existe alguma intenção por trás de tantos nomes diferentes de organizadas? Cargos no clube, influência em rede social, informações internas em busca de seguidores, brindes para sorteios em busca de fama e postos de representação? E quem perde com toda essa guerra por influência digital e financeira? Perde o Cruzeiro, perde o torcedor, perde a festa!

 

Não desejo o fim das organizadas e sim a união delas. Fizemos hashtags contra a imprensa e contra jornalistas, pelo sócio; mas porque não fazemos por nossa união?

Que a única vaidade presente em nossa torcida seja aquela cantada com tanto orgulho em nosso hino, e não essa atual, no pior sentido de seu significado.

 

Saudações Celestes!

 

Por: Demetrios Pinheiro - @TheMetrios90

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